A Crise dos 21

28 maio

Pois é, 21 anos recém-completados e já sinto as dores nas costas. É engraçado como o tempo passa e a gente nem percebe. Eu fiz 15 anos ontem, gente! Mas a realidade é que, a partir de agora, eu cheguei a maioridade suprema desse mundo. O que quer dizer que qualquer merda internacional que eu fizer, eu to lascada na vida. Porém, como eu não pretendo fazer nada disso, vejamos pelo lado bom: Já posso ir pra Las Vegas. Aí sim eu vejo uma vantagem sobrenatural, sem palavras pra explicar. BORA? \o/

Mas apesar de tudo isso, eu admito que fazer 21 anos me fez parar pra refletir sobre certas coisas. Coisas que eu já havia reparado há tempos, mas que nunca realmente me preocupei muito. Não, esse não é um post melancólico. De verdade, é só uma reflexão de como eu acho (e sinto) que de alguma maneira eu sou meio ET nesse mundo. Esse sentimentozinho de ser e pensar diferente do resto das pessoas ao meu redor sempre me perseguiu e, de uns tempos pra cá, ele tem sido uma constante. No fim das contas, eu até gosto dele. Acho, do fundo do coração, que não seria eu mesma e não conseguiria lidar com o fato de ser como a maioria das pessoas.

É óbvio que não penso nem acho que sou melhor ou pior que ninguém, mas sempre senti que queria muito mais da vida do que o resto das pessoas. Enquanto a maioria das minhas amigas estava preocupada em ir pra todas as baladas possíveis e conseguir ficar com os caras mais gatos do pedaço, eu confesso que pensava muito mais em ter boas notas na escola e ir pra faculdade. Claro que também ia nas baladas/festas, né gente. Não era uma daquelas loucas que só fica dentro de casa, mas é meio questão de prioridade, sei lá.

Aí você cresce e todas arrumam namorados, menos você. Logo de cara, você pensa: “espera, que merda é essa?”. Um tempo depois, vê que lidar com namoro só traz dor de cabeça e que suas amigas só sabem reclamar dos namorados. Conclusão: Preferi me preocupar com a faculdade e com meu emprego. Então, honestamente, sempre fui mais adepta dessa coisa de não ter compromisso e só aproveitar a parte boa de ficar com alguém.

Depois que você entra na faculdade, descobre um leque de pessoas absurdamente estranhas que você jamais achou que conheceria. Porém, poucos são parecidos com você e os que são, tem alguma coisa que te irrita e acaba não rolando uma amizade. Sério, gente, faculdade é tipo um zoológico: você encontra os mais diversos tipos de animais, incluindo professores, já que nada é fácil nessa vida. Pra minha “sorte imensa”, as pessoas da minha sala são todas adeptas do Camaro Amarelo, do Arrocha e sei lá mais qual sertanejo insuportável as pessoas estão cantando hoje em dia. Dito isso, deixo claro que não desgosto deles por causa disso, porém convenhamos que é uma grande divergência devido ao fato de eu gostar de rock e pop. Conclusão: eu sou a ET que não vai pros rodeios e gasta oceanos de dinheiro indo em shows de bandas “gringas que ninguém conhece”.

Ainda no assunto faculdade, temos também o fator literatura. 99% das pessoas na minha sala, apesar de esturdarmos Comunicação, não lê. Portanto, eu sou a estranha que está sempre comprando caminhões de livros, que se empolga com novos amores literários, que surta esperando sequências e conta os dias pra ver adaptações para o cinema. Conclusão: como pessoas que não tem o hábito de ler só conhecem os best-sellers do momento, prefiro ficar quieta e não falar muito pra não me irritar/revoltar.

Sem contar que DO NADA TODAS as pessoas ao meu redor viraram fanáticas religiosas chatas e entojadas. Não sei quando foi que essa porcaria aconteceu exatamente, mas apesar de ter minha religião e fazer o possível para ser uma boa pessoa e viver de acordo com o que eu acredito ser o certo, eu acho completamente o fim do mundo essa gente que faz da religião o ar que respira e não se conforma com o fato das outras pessoas não serem/pensarem como eles. Não tem nada mais uó do que gente tentando te converter com um monte de blá blá blás. Mentira, tem sim. Gente que se acha no direito de xingar a religião dos outros na frente deles e ainda acha que a pessoa não pode se sentir ofendida. Acreditem, não sou de bater boca, mas me faça um favor: guarde sua opinião negativa e preconceituosa sobre a minha religião pra você, já que o que eu penso sobre a sua eu guardo pra mim. Caso contrário, nós vamos discutir e, acredite, eu não vou ser sutil e politicamente correta se você me irritar.

Enfim, chegamos a última questão da minha “Crise dos 21”: namoros/casamentos/filhos. Quando foi que todas as pessoas do MUNDO resolveram namorar, casar e ter filhos TODAS DE UMA VEZ? Porque, honestamente, eu olho em volta e é só isso que eu vejo. Não que haja algum problema com isso, mas fico pensando se estou perdendo alguma coisa. Acho que não. Tenho quase certeza que não. Afinal, é uma questão de escolha. Como disse no início do post, sempre quis muito mais da vida do que as pessoas “comuns”. Enquanto, sempre sonhei em me formar, ter um bom emprego, uma carreira respeitável e viajar o mundo conhecendo diferentes culturas e lugares, as pessoas querem casar e ter filhos. Veja bem, é claro que quero isso também. Um dia. E não acho errado quem pensa e quer tudo isso, mas eu não sei vocês, mas ultimamente tenho reparado que muitas pessoas fazem disso uma meta de vida. Que vivem em torno de namorado(a)/marido/mulher e começam a perder um pouco de sua identidade própria e passam a ser definidos pela outra pessoa e não por eles mesmos. Acho isso um pouco triste e tenho pena das pessoas que vivem assim. Pode ser que, um dia, eu morda a língua, mas eu duvido bastante que eu vá me tornar esse tipo de pessoa. Acho que nunca conseguiria abrir mão da minha personalidade, do meu jeito de pensar ou vestir… abrir mão de mim mesma por completo, sabe?

Conclusão: Por uma questão de escolha (e acho que isso é a maior conquista do Feminismo até hoje, o direito de escolha da mulher), creio que vou ser aquela amiga que sai por aí conhecendo o mundo e cuidando da carreira enquanto as outras estão casando, tendo filhos e cuidando de maridos aos 22/23 anos. Provavelmente, vou ser a última a aderir a vida doméstica. E não creio que algum dia me arrependerei disso. Alguns escolhem relacionamentos duradouros e família. Eu escolho o mundo.

 

Essa é a conclusão dos meus 21 anos. Concordando ou não, essas são as minhas escolhas. E como disse Augustus Waters (♥) em A Culpa é das Estrelas: “Eu aceito minhas escolhas.” Espero que vocês aceitem as suas. 😉

 

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